Par Enantiodronômico

par-enantiodronomico

por Augusto de Franco

Alessandro Gagnor Galvão compartilhou a seguinte publicação de Eduardo Carreira no grupo Dagobah:

Eduardo Carreira:

“David Horowitz (o grande branco ex-pantera negra) está certíssimo: 1) a esquerda revolucionária é basicamente rousseauniana e infantil quando acredita piamente naqueles mitos simplórios do século XVIII sobre a bondade inata dos humanos; 2) a esquerda revolucionária tem obsessão com o futuro, que é fundamentalmente um campo imaginário (ao contrário do passado que pode ser de algum modo aferido); 3) a esquerda revolucionária se considera um exército bem intencionado de salvadores da humanidade, cujo projeto só é questionado por pessoas escrotas que devem ser eliminadas; 4) a esquerda revolucionária vive de mentiras. E não só aquelas relativamente típicas e abstratas da realpolitik. Como sabem meus amigos que continuam lá, nunca se pode ser um esquerdista/revolucionário consciente sem mentir sobre quem é você”.

Segue abaixo a minha resposta.

Augusto de Franco:

“Sim, parece correto, mas há problemas nessa formulação. Apenas para explicitá-los vou fazer uma paródia.

1) a direita conservadora é basicamente hobbesiana e infantil quando acredita piamente naquela hipótese, sem comprovação científica, de que os seres humanos têm uma natureza competitiva e, se abandonados à sua própria sorte, se engalfinhariam numa guerra de todos contra todos; 2) a direita conservadora tem obsessão pelo passado, que é um campo tão imaginário quanto o futuro, na medida em que seus historiadores constroem a história da frente para trás, projetando sobre o passado (que não existe mais, porquanto já passou), sem transposições hermenêuticas válidas, as visões geradas pelas condições presentes (e fazem isso não para conhecer o passado e sim para sulcar um caminho para o futuro condicionado pela repetição de passado); 3) a direita conservadora se considera um exército de pessoas que devem combater a esquerda para manter os valores da civilização, em geral ocidental, mas nem sempre (e em muitos casos cristã ou religiosa: afinal, se deus não existe, tudo seria possível) – como a família, a tradição, a propriedade, a ordem e a hierarquia (quando não a disciplina, a obediência, o comando-e-controle e a fidelidade imposta top down) – e julga, sem qualquer base racional, que existe uma besta-fera humana, um homo hostilis primordial em cada um de nós, que deve ser domado pela civilização; 4) a direita conservadora vive de mentiras (tal como a esquerda). E, na prática (tal como a esquerda) adota sempre – ao fim e ao cabo – a realpolitik, que é autocrática (não-democrática).

Enfim, a esquerda revolucionária e a direita conservadora compõem um par enantiodronômico.

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Sobre a politização Dias vs. Dark

por Reverendo Dystopus

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Sábias foram as palavras do ilustríssimo e iluminadíssimo Timóteo Pinto, presidente etéreo do P.I.P.A., sobre o recente debate entre nossos notáveis papas @diascordiano e @Dark_one_Night (contas no Twitter). Venho acrescentar uma pitada de pimenta à bela Discórdia em andamento! Além da esquerda, direita e do alto, saliento a importância de posicionarmos em baixo! Não no esgoto da política nacional, mas no underground das ideias mais iconoclastas, gloominatti, melancólicas e de revolta que permeiam os caracinzas despertos. Além disso, quero reprovar e congratular ambos por: 1) terem escolhido uma ideia (certamente de forma não dogmática) e misturado o túnel de realidade momentâneo com as nossas metamorfoseantes verdades universais discordianas; 2) terem criado uma discussão politizada sobre o assunto, gerando discordância, reflexão e descrença; 3) terem associado socialismo ou libertarianismo com o discordianismo (como T.P. nos lembra, todas as direções estão no P.I.P.A., assim como na sagrada estrela do Kaos); 5) terem debatido sobre teorias utópicas como se fossem possíveis, afinal nada é verdadeiro. Obs.: o número 4 foi censurado pela ABIN. O Reverendo que vos escreve gosta mais do conto de fadas conhecido como fábulas da escola austríaca, mas isso não importa. Qualquer cenário é divertido e qualquer ideia é interessante de estudar para discordar. Por fim, peço apenas que nenhum caracinza desinformado acredite no que lê (lembremo-nos das sagradas escrituras) porque Éris não escolheu lado algum na corte, esquerda ou direita – ela não foi convidada! Portanto, o Discordianismo não doutrina politicamente, senão com uma palavra: liberdade. Cada Papa pode escolher qual ideologia acha mais adequada, sem jamais ser dogmático ou doutrinador. P.S.: eu sei que acabei sendo dogmático e doutrinador ao tentar não sê-lo, apenas caí na armadilha de que toda generalização não presta. Eu me contradigo mesmo, vergonhosamente com orgulho!

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Perceba Ivair, a petulância do discordiano

por Dias Lunatic

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Também conhecido como “Como o Dias ficou puto para caralho com a burrice de outros discordianos”.

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Eu não ia escrever nada, mas o bagulho agora vai ficar estranho.

Eu não iria escrever nada sobre o assunto, sabe como é? Porque se eu escrevesse qualquer merda, iriam (e vão) me chamar de ideologista. Mas como já escreveram um texto – escroto para caralho – e totalmente ideologista se disfarçando de não ideologista, vejam isso como uma resposta.

Fui acusado, por um (pseudo) discordiano, de usar o discordianismo para fins meramente políticos. E enquanto eu nunca escondi minhas preferências políticas e inclinações anárquicas, eu nunca forcei isso em cima de ninguém. E se perguntarem a qualquer uma de minhas amigas, ou amigos anarquistas, perceberão que é exatamente ao contrário: Eu sempre usei o anarquismo para promover o discordianismo.

O texto todo foi justificado, porque alinhar à esquerda, ou à direita é estúpido – quiçá centralizar.

Por que socialismo?

Roubo esse subtítulo de um texto escrito por Einstein, acerca do socialismo, para também incitar um debate maior entre nosso círculo. Usarei textos e artigos de fontes confiáveis, não algum vídeo idiota do youtube, com uma montagem de imagens no Windows movie maker, que traz informações um tanto quanto duvidosas. E me sinto compelido a falar – uma última vez – acerca do socialismo num geral. Primeiro porque, apesar de eu apresentar as ideias acerca do socialismo – e por consequência o comunismo – as mesmas estupidezes são repetidas, mais e mais. Eu tenho meus próprios grilos com o comunismo e com o socialismo num geral – merda, tenho até meus grilos com o anarquismo! – e irei apresenta-los nesse texto também, porque percebo que eu me abstendo de mostrar meus pontos de vista, é fácil alguém apontar e me taxar de qualquer outra coisa que eu não sou.

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Não compreende o capitalismo? Nos culpe em vídeos do youtube feitos no moviemaker.

Não devemos confundir Socialismo com Comunismo. Exista, talvez, essa confusão porque muitos socialistas utilizam da obra de Marx em seus estudos. O que não é de todo ruim, diga-se de passagem, mas que sempre cai na mesmice. Simplificando: Comunismo é uma forma de socialismo. Socialismo Científico, como foi chamado por um de seus fundadores Marx. Científico, pelo fato de se basear em dados empíricos e fazer uma análise materialista acerca da nossa sociedade e de sua história. Chamando assim os outros socialistas de utópicos – que desagradável, Marx!

A teoria Marxista, resumindo, se resume em descentralizar os meios de produção e colocar o poder de decisão nas mãos dos trabalhadores. Uma fábrica sem patrão, basicamente. Quem dizer que nunca pensou em chutar a bunda do próprio chefe, estaria mentindo. O Socialismo, nesse sentido, vai além de simplesmente pensar: Ele apresenta todo um método de como os trabalhadores podem se organizar, e trabalharem sem serem subjugados.

“Estou convencido de que há somente uma forma de eliminar estes graves malefícios: através do estabelecimento de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educacional que seja orientado para fins sociais. Em tal economia, os meios de produção são propriedade da própria sociedade e utilizados de maneira planejada. Uma economia planejada, que ajuste a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho entre todos aptos a trabalhar e garantiria os meios de vida a todos, homem, mulher e criança. A educação do indivíduo, além de promover suas próprias habilidades inatas, intentaria desenvolver em um sentido de responsabilidade por seu próximo, em lugar da glorificação do poder e do êxito em nossa sociedade atual” – Albert Einstein.

Contextualizando essa citação do Einstein – para não só parecer que eu removi de contexto – ele traz uma análise da economia capitalista, e como ela causava sofrimento para uma massa de indivíduos, enquanto poucos indivíduos vivem bem (seja ele Estado ou Capital). Recomendo a leitura do texto do Einstein.

O Socialismo é comumente divido – embora haja divergências – entre estadistas e não-estadistas. Mas nenhum socialismo se resume a Estado. O Estado, para os socialistas estadistas, é meramente um instrumento para descentralizar os meios de produção, e após atingirmos o socialismo – teoricamente falando – o Estado sumiria. Já os anarquistas e outros socialistas não-estadistas, reconhecem que a utilização do estado subjuga o indivíduo, não resolvendo o problema. O Estado, no caso dos Estadistas, é um meio para atingir o fim (fins justificam os meios, na lógica maquiavélica). Para os não-estadistas, os meios são os próprios fins. O que isso quer dizer, você se pergunta? Ao invés de o Estado assumir os meios e depois passar esse domínio aos trabalhadores, os trabalhadores vão lá e assumem o poder, sem depender de ninguém.

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Eu não ia escrever nada, mas o bagulho agora vai ficar estranho.

Os Estadistas têm diversas táticas para assumir o poder. Um comunista, por exemplo, nunca assumiria o poder do Estado ganhando uma eleição. Quem ganha eleição é socialdemocrata. E por mais que o PCdoB, se diga comunista, eles nunca serão comunistas fazendo o mesmo jogo da ordem burguesa e alimentando a máquina – tanto estatal quanto capital. Um comunista pega em armas e assume o poder. A infame – e mal compreendida – dita dura do proletariado. Proletariado somos todos nós, que não temos meios de produção. Não somos donos de fábricas, de TVs, ou grandes redes de supermercados. A nossa dita dura é o Estado transitório do qual falei anteriormente, a grosso modo. O meu grilo com a dita dura do proletariado, é que para descentralizar o poder, ela centraliza em uma vanguarda primeiro, até poder garantir que a burguesia não vá desmoralizar o movimento. Isso nós mesmo façamos, é o povo pelo povo, não o Estado pelo povo. Já os Estadistas que jogam pela ordem burguesa, é de se esperar que com o impeachment eles vejam que não se joga pelas regras da burguesia, porque as mesmas empresas e bancos que foram favorecidas pela socialdemocracia petista, cuspiram de volta e estão depondo a presidente do poder. Mais do que justo, devo dizer, para aprender que socialismo se faz com armas e com poder ao povo, e não favorecendo a burguesia.

Com essas explicações na cabeça, vem a hora de eu responder à pergunta do subtítulo: Porque socialismo? Pelo fim do Caracinza, seus seguidores e sua maldição! No ano de 0 YOLD, o Caracinza decidiu que todos deveriam ser chatos e sem humor, como ele era. Ora essa, que pretencioso, não é mesmo? E qual é a Ordem mundial atualmente? Ponto para aquele que disse Democracia Burguesa e imperialismo mercadológico! Se você perceber, o Estado e o Capital são constituídos por seguidores do Caracinza: caras engravatados, que passam o dia reclamando e falando sobre contas e impostos e ganhar dinheiro. Ou que passam o dia todo votando algumas leis para impor sobre nós, espíritos livres – ou as vezes nem vão votar, como é o caso do Bolsonaro.

A Maldição do Caracinza divide o mundo entre Ordem e Desordem. Desordem, no seu sentido político, é a subversão da Ordem atual. Os anarquistas, nesse sentido, buscam a subversão da ordem, buscam a desordem, o caos. A POEE, que a Deusa os tenha, propôs um novo modelo para subverter a maldição do Caracinza, que dividiria ordem e desordem em duas categorias: Destrutiva e Criativa. Nesse contexto, a Ordem destrutiva seria o capitalismo, como é hoje, o antro de caracinzas. A Ordem criativa seria quando um caracinza coloca um sorriso na cara, e finge não ser um caracinza, como a Economia compartilhada – que é defendida tanto pela esquerda, quanto pela direita, mas que tem um monte de grilos sim. A Desordem Destrutiva, seriam os socialistas estadistas, que iriam repetir o mais do mesmo com o Estado – a caracinzação do movimento socialista, se você me perguntar. E a Desordem Criativa, seriam os anarquistas e socialistas libertários, que buscam uma maneira divertida – tipo pegar em armas e matar a burguesia e os políticos, a violência é divertida, qualé! – subverter a ordem social e econômica, e acabar com o caracinzismo!

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Não é só porque um caracinza sorri, que ele deixa de ser um caracinza!

Aquele artigo postado na tudismocroned, foi desonesto, mas para não ser tão cruel, vou fingir que foi apenas inocente, e foi escrito por um cara que tem aproximadamente a minha idade, mas que nunca foi ativo – ou pensou em ser – politicamente antes de 2013, e que após de dois mil e treze, apenas viu alguns vídeos idiotas no youtube, ou leu umas bostas sem fundamento do Olavo de Carvalho, e tomou aquilo como verdade absoluta para ele. A VIDA É ABSURDA, CAMARADA!

Acho bem bosta quando me chama de ideologista. Primeiro porque eu já fui de tudo – até mesmo “anarco”-capitalista! – e eu sempre busco entender melhor um ponto de vista, antes de qualquer coisa. Motivo número um, pelo qual sempre que me envolvem em uma treta da qual não tenho domínio, eu geralmente me esquivo, leio sobre o assunto e tiro as minhas próprias conclusões baseadas no que eu estudei. Mas quem sou eu para mudar a realidade de alguém, não é mesmo? Se elx prefere acreditar que eu sou um ideologista, então eu sou um ideologista.

Pelo fim do dogmatismo discordiano

A vida é irônica, não é mesmo? O discordianismo foi feito para ser uma religião que zoasse outras religiões e zoasse a dogmatização delas. O Discordianismo traz ensinamentos budistas, de uma forma libertária, sem uma autoridade ou dogma. O que é bom, todos nós concordamos com isso. O problema é quando esse anti-dogmatismo vira dogma. Mas não é um dogma contra um dogma – o que seria um dilema um tanto quanto engraçado – mas sim um dogma onde o discordianismo se tornou apenas ha-ha. Todas as críticas sociais e toda a filosofia absurdista, que relativiza a moralidade, se tornou apenas ha-ha. Ora essa, sigam esse conselho:

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Página 00075, Principia Discordia

De tempos em tempos, eu olho os textos discordianos e fico “mano, que merda, não estou entendo mais nada”, e após ler o PD novamente – numa cagada – tudo volta ao normal e tudo faz – mais – sentido. Não é uma imposição, onde você tem que ler o PD sempre para ser discordiano, é uma recomendação, para que não se caia em uma punhetice glorificando o poder – conceito caracinza – ou um seguidor do caracinza por si só!

E veja: não estou – em nenhum momento – criticando a SFD por aderir novos conceitos ao discordianismo, longe disso. Incentivo e muito a inclusão de novos conceitos, você pode ver isso no manifesto da F.O.D.A.-S.E., e por mais que o fato dos annunakis serem um conceito bem bosta, onde eles controlam tudo – e controle ser coisa de Caracinza – não tem problema algum. Mesmo que a SFD confunda – diversas vezes, aliás – os discordianos com os illuminatis da Bavária. RAW uma vez disse que a inclusão dos illuminatis da Bavária foi feita para serem os inimigos dos discordianos. A questão é: De que lado está a SFD? No estado atual, não do meu lado, isso é com toda certeza.

E eu não quero que vocês, sejam anarquistas ou discordianos, se tornem discordianos e anarquista (respectivamente). É uma mistura interessante, alguns conceitos se batem, mas outros caem perfeitamente. Mas dá muito bem para viver sem um ou outro, da mesma forma que dá para viver sem Caos Magick ou qualquer outro tipo de ocultismo, sem ser discordiano. Nós queremos é dar risada do Caracinza e seus seguidores, mas sem cair no discordianismo há-há!

Eu quero que vocês fiquem loucos, que fiquem pirados, que vocês olhem as injustiças e a coerção no mundo e veja que ali reside a ordem, e que nós temos que trazer o caos para sociedade. Eu não quero você adote uma ideologia política, eu não quero que você vire

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Caos é só o começo!

ativista, eu não quero que você distribua comida aos pobres, – embora isso seja bem legal da sua parte – eu não quero que você que você pegue em armas e destrua a máquina. Eu quero que você entenda que a Máquina é obra do Caracinza, e que ela subjuga, fere e transforma outros em caracinzas. Eu quero que isso te deixe louco, te deixe puto, te deixe cagando na própria calça de raiva. Eu. Quero. Que. Você. Traga. O. Caos.

Finalizando

Quando trabalhamos com o discordianismo, nós trabalhamos com a liberdade. Não vivemos num mundo livre, nem espiritual, nem materialmente falando. Informação tem para dar com pau, você pega, você lê, você interpreta. Tanto se fala nas grades, mas ficamos presos a elas e tentando comparar umas com as outras – eu faço isso também – o problema é você ficar agarrado a uma grade, sem ao menos ver a outra grade sozinha. Ver uma grade pela outra é ridícula. Que leiam a oposição, que leia o seu lado, e tomem as decisões, mas não leia o seu lado falando sobre a oposição, é a pior merda que você pode fazer. Ainda mais quando são vídeos do youtube que são montagens feito no movie maker. POR ÉRIS, COMO ALGUÉM CONSEGUE LEVAR A SÉRIO UMA MONTAGEM NO MOVIE MAKER?!

Relativizem mais, abaixo aos torturadores, abaixo a toda ordem, abaixo ao Estado, abaixo ao Capital, abaixo ao Caracinza e seus seguidores.

Leitura CRUA (recomendado, ein)

–><–

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DISCORDIANOS… OS FALSOS ILLUMINATIS

por Dark Night

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“Nem todo parágrafo foi justificado. Uns ficaram mais à esquerda, outros mais á direita, mas as citações ficaram CENTRALIZADAS…- Boa Leitura :)”

Desde a idade da pedra quando os primeiros humanos começaram a sofisticar suas ferramentas e usá-la para proteger o local de possíveis ameaças (animais selvagens) o mundo vem sofrendo uma batalha que iniciou milênios antes.

Há uma disputa muito forte entre dois estereótipos ideológicos cheio de arrogância que dura até os dias de hoje. De um lado, os Unicórnios e do outro, os Pôneis.

Se reparamos bem aos dois lados, da mesma moeda, os pôneis não diferenciam muito dos Unicórnios, e isso por que são de uma linhagem muito próxima. Surgiu o conflito quando o Unicórnio por apresentar um chifre sobre a testa, ganhou um presente antes do Pônei, que por ciúmes e inveja do Unicórnio traçou uma batalha sanguinária que perduraria por séculos.

Era 30 de abril de 1776 quando um grupo se reuniu pela primeira ver para beber café em um dos bares da cidade alemã. Nessa reunião surgiria a semente do renascimento dos Illuminati, chamado hoje em dia de illuminatis Bávaros.

“NÃO CONTE A NINGUÉM!ACIDENTES TÊM UM ESTRANHO JEITO DE ACONTECER COM PESSOAS
QUE FALAM DEMAIS SOBRE OS BÁVAROS ILLUMINATI!
CUIDADO com as IMITAÇÕES! Este é ORIGINAL e GENUÍNO!”

Os Illuminati existiram desde muito tempo nas remotas histórias esquecidas da sociedade humana, aproximadamente 18000 anos, estabelecendo por completo em Atlantis (Principia Discordia, pag 00072)

“Ilumine a OPOSIÇÃO!”.

-Adam Weishaupt

Grande Primus Illuminati

Os illuminati vem dominando boa parte da governabilidade mundial com apoio Anunnaki que se estabeleceram em terras Urantianas na época dos Sumérios, aproximadamente há 5000 anos.

Discordianos por natureza é Illuminati, estando em contato mútuo com os segredos de diversas Ordens Fraternais (como a OTO, Maçonaria, A.:.A, ONU, etc). Abaixo há um pequeno vídeo de um dos mais  “polêmico” illuminati do atual cenário político brasileiro, para causar repulsa aos irmãos da Discordia (Éris me permitiu com brilho nos olhos *.*)…

Discordianos são Illuminatis. Sempre estiveram dentro das maiores Ordens Fraternais (O.T.O, A.:.A, ONU, Maçonaria, etc) do globo comandando o caminho do Globo Terrestre.Sua influência política é nítida e estão na base da elite intergaláctica (pois possuem certificado de competência carimbado por Michael de Nébadon).

Alguns apoios à momentos nefastos da Terra se fez, como a era da Peste Negra (isso foi um ato terrorista para derrubar a monarquia que estava para romper o vínculo com os Illuminatis), o comunismo Soviético e a criação de uma oposição muito forte a direita com a o surgimento do Partido Nacional Socialista (neste período houve um equívodo da assembléia illuminati, registra-se a maior “mancada” já conhecida pelos Illuminati estagiário que errou os nomes dos candidatos ao partido).

Quam matou mais? Alexandre o Grande, Napoleão, Hitler, Lenin, Stalin, Mussolini (criador do estado fascista com direito a elogios de Lenin), Castro e sua ditadura Cubana, Ernesto Guevara, Ustra ou Jair Bolsonaro (o Illuminati “fascista” de direita opressor caracinza toturador homofóbico)? A questão é tortura ou lado ideológico? Os PÔNEIS FORAM QUEM MAIS MATOU E TORTUROU HUMANOS COM SUAS PERSUAÇÕES MALDITAS! PÔNEIS MALDITOS QUE ENGANAM O HOMO SAPIENS E AS MULHERES SAPIENS!

Recentemente uma tempestade em uma gota d’água virou uma tsunami e invadiu a esfera discordiana enraizando uma guerra ideológica desnecessária. Mais uma vez vou citar o Princípia Discordia (a constituição fnordiana discordiana):

“A raça humana irá começar a resolver seus problemas no
dia que cessar de se encarar tão seriamente.” (Principia, pag 00074)

Andei observando a exaltação ideológica por parte de discordianos conforme o cenário político brasileiro ia se aflorando. Embora alguns assumem que usam e usufruem do movimento discordiano para impor uma visão e ideal político abertamente, aparentemente uma imposição contrária a tais ações parecem-me, como diria o meu Guarda-Chuva, meio molhada.

Como assim? A expressão individualista sempre se manteve numa sociedade “democrática” e o Discordianismo (com D maiúsculo) sempre foi e não foi um movimento filosófico Areligioso (existe essa palavra produção?).

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ESTA FIGURA FOI ALINHADA À ESQUERDA

O PIPA, como foi citado por um membro, ensolarado que se estende a semanas, meses e anos até o calendário se exaurir, sendo “direitista”, da qual o partido não possui visão nem de Direita e nem de Esquerda, mas sim para o Alto, zoando com a política Global, foi oriundo de uma expressão individualista de outro membro do grupo.

O membro de esquerda tem o direito de exibir suas opiniões assim como o membro de direita, para que ao se encontrarem possam voar felizes para sempre em Neverland.

Um dos membros que apoia uma figura que apoia um apoio à tortura deveria ser expulso do discordianismo por alguém que apoia uma figura que apoia o apoio a tortura? A questão  que fica é de ser expulso de uma das religiões mais falsas e inexistente.

“Nós somos

Uma tribo

De filósofos, teólogos,

Mágicos, cientistas,

Artistas, palhaços

E maníacos similares

Intrigados

Com

ÉRIS

DEUSA DA CONFUSÂO

E com

Suas

Coisas” (Principia Discordia, pag 0001)  ====&gt;&gt;&gt; Não há políticos nesta lista… Talvez estejam na classe dos Palhaços.

Mesmo que expulsarem, a cabala individual permanece. Há muitos discordianos que exercem o discorianismo “forever alone”.

O Discordianismo não foi criado para ser levado a sério…

QUEM FOI O CARACINZA?

CARACINZA

No ano de 1166 a.C., um cérebro-torto infeliz de

nome Caracinza, enfiou na cabeça a idéia de que o

universo era tão sem humor quanto ele, e ele

começou a ensinar que diversão era pecaminosa

porque ela contradizia os caminhos da Ordem

Séria. “Olhem para toda a ordem em volta de

vocês”, ele disse. E a partir disso, ele enganou

os homens honestos e os fez crerem que a

realidade era um negócio duro e direto e não o

romance feliz como os homens a conheciam.

Hoje em dia não se entende porque os homens eram

tão crédulos naquele tempo, porque absolutamente

ninguém pensou em observar toda a desordem em

torno e concluir justamente o inverso. Mas de

qualquer forma, Caracinza e seus seguidores

levavam o jogo de jogar com a vida mais a sério

do que eles levavam a própria vida e eram

conhecidos até por destruir outros seres vivos

cujas maneiras de viver eram diferentes das

deles.O infeliz resultado disso é que a

humanidade tem, desde então, sofrido de um

desequilíbrio psicológico e espiritual.

Desequilíbrio causa frustração, e frustração

causa medo. E medo dá uma viagem ruim. O homem

tem estado numa viagem ruim por um longo tempo.

Isso é chamado A MALDIÇÃO DO CARACINZA. (Principia Discordia, pag 00042)

Quem está certo num jogo onde “Todas afirmações são verdadeiras em algum sentido,

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ESTA FIGURA FOI ALINHADA À DIREITA DEVIDO A PARTICIPAÇÃO DE UM EXTREMA DIREITA

falsas em outro sentido, sem sentido em alguns sentidos, verdadeiro e falso em outros

sentidos, falsas e absurdas em outros sentidos e verdadeiras e falsas e absurdas em alguns sentidos.”

WTF DISCORDIANOS SÃO FALSOS ILLUMINATIS??

Caso alguém não entendeu do porque (por que, porquê, por quê… escolha a sua) discordianos são falsos illuminatis, é por que seria colocado outro título:

“Discordianos… Os Illuminatis Iludidos”

Discordianos são geradores de Caos e Discordia… uitos não entendem sarcasmo e nem curti ser contrariado. Parecem beberrões. Ou todos somos.

Discordianos são falsos illuminatis por que não se pode estar em todos os nichos ideológicos. É apenas um e acabou.

Discordianos são falsos Illuminatis por que os ETs esqueceram de por ervilha no cachorro-quente.

Discordianos são falsos illuminatis por que exigem do próximo serem iguais a si próprios…

Discordianos são falsos illuminatis por que deixam de estudar  para a prova e a dissertação para escrever bobagens na internet.

Discordianos são falsos illuminatis por que levam o Discordianismo a sério…

Cortesia da POEE

Mais Illuminatis

Illuminati Marcelo Adnet “alerta” GOLPE politico nas eleições de 2014. Ver Final do Video!!!

Eneas…

Illuminatis, capitalismo, socialismo, comunismo, consPiração e Illuminatis…

A Sociedade Fnordiana Discordiana manda informar que não haverá GOLPE por parte dos Discordianos Golpistas que usam o Discordianismo para movimentos políticos.

Deixem o Discordianismo para quem gosta de levar a vida menos a sério.

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FNoRD

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MultiPlicidade Interestelar na Não-Linearidade `Patafísica

“O P.I.P.A. não está na esquerda, nem na direita, nem no centro, e sim NO ALTO” – Timóteo Pinto, pós-pensador `patafísico

 

Muito se têm discutido ultimamente entre alguns de nossos colaboradores nos bastidores da comunidade do P.I.P.A. os seus diferentes afetos em suas eternas buscas por uma ideologia pura & imaculada livre de contradições. Éris suspira, entediada.

Diferentes discordianos de várias vertentes sempre, ou quase, defendem a multiplicidade de idéias, as exceções `patafísicas, as recombinações, a mistura e a não dogmatização de conceitos, o amplo agnosticismo, mas alguns sempre escorregam em seus fetiches ideológicos e meméticos em busca de conforto & segurança.

Mas a política complexa intergalática groucho-marxista do P.I.P.A. para o século 21 chega para transcender essas binariedades limitantes e caracinzas do século passado.

“Eu me contradigo? Pois muito bem, eu me contradigo, sou amplo, vasto, contenho multidões.”
Walt Whitman

Na figura do condivíduo-ídolo-símbolo-`patafísico –delirante do P.I.P.A. Timóteo Pinto exemplificamos perfeitamente o que queremos demostrar, ou não. Ele é isso e aquilo, e nem isso, nem aquilo. Ele contém em si idéias de um determinado polo, mas também do outro em sua dança cósmica recombinatória interplanetária.

“Os óculos monocromáticos da linearidade vampirizam-nos a autocrítica” – Romulo Rodrigues de Carvalho

Pode-se imaginar as idéias e propostas do P.I.P.A. como um mashup de conceitos, em algum sentido. De parte da esquerda nós sampleamos a defesa das minorias, da diversidade e os devires e de parte da direita pirateamos a autodeterminação do indivíduo frente a um estado que tende à burocratização e ao autoritarismo. E acima de tudo, também abandonamos ambos os polos do espectro político.

Para melhor des(orientação) da natureza de nossa proposta, no campo das influências no quadro partidário oficial & imaginário (“a imaginação é muito melhor” – Verde, Fada – 2006) o P.I.P.A. tem apreço pelas propostas do Partido Surrealista Brasileiro. Internacionalmente o P.I.P.A. tem influências do The Youth International Party e do Guns and Dope Party (Estados Unidos), do The Rhinoceros Party (Canadá), do Union of Conscientiously Work-Shy Elements (Dinamarca), do The Deadly Serious Party (Austrália), do The Hungarian Two-tailed Dog Party e do The Best Party (Islândia).

Por menos cegueira ideológica e por uma visão de longo alcance multi-colorida de 523 graus, vista os óculos do P.I.P.A.!

“Eu não acredito em nada. A maioria das pessoas, até mesmo as educadas, acham que todo mundo deve “acreditar” em uma coisa ou outra, que se alguém não é um teísta, é preciso ser um ateu dogmático, e se não achar que o capitalismo é perfeito, é preciso acreditar fervorosamente no socialismo, e se a pessoa não tem fé cega em X, deve-se em alternativa, ter fé cega em não-X, ou o inverso de X. A minha opinião é que a crença é a morte de inteligência.” – Robert Anton Wilson

O prêmio Lula de melhor Lula vai para o… Lula, OU o que o #meuamigosecreto tem a ver com a lama tóxica

por Alex Antunes

O título não é (totalmente) gozação: o Instituto Lula avisa que o prêmio Luiz Inácio Lula da Silva para aqueles que contribuíram para o desenvolvimento rural foi atribuído… ao Lula. Seria ridículo, se não fosse ridículo. Mas converge com um dos hábitos mais bizarros da esquerda governista do século passado: o do culto à personalidade.

Tudo começou com as homenagens recorrentes ao finado Lenin, morto em 1924 (homenagens cuja progressiva solenidade era precisamente uma cortina de fumaça para a extrema distorção da revolução russa promovida por Stalin). Dessa época é o início do, digamos assim, surto simbólico que levou, entre outras coisas, ao apagamento de Trotsky das fotos históricas – com se mudar uma foto mudasse a própria história.

Não estou dizendo que se Trotsky tivesse podido vencer Stalin a revolução socialista teria sido levada a bom termo (o próprio Trotsky negava a possibilidade da revolução em um só país). Mas o fato é que Trotsky tinha uma percepção cultural bem mais sofisticada, vide as conversas de bom nível com gente como o surrealista André Breton, ou com o casal Diego Rivera e Frida Kahlo (com quem teve um affair ao se refugiar no México, onde acabaria morto).

O culto a Lenin produziria, além da estatuária, itens involuntariamente paspalhos como o broche do Lenin-bebê (foto), que é uma espécie de apropriação de esquerda do milagreiro Menino Jesus. Junto com a virgindade de sua mãe (fecundada por um pai incorpóreo), e a própria vitória de Jesus coincidindo com sua aniquilação física, não é estranho que uma mitologia monoteísta como a cristã se empenhe em situar a fonte da virtude moral fora do corpo. Também não é estranho que a mulher, dotada de útero (ou seja, de um equipamento reprodutor de matéria), seja considerada fonte da tentação viciosa.

O que é esquisitão é que a esquerda supostamente marxista (ou seja, em tese fundada no materialismo dialético, que trata da interrelação dos sistemas sociais com as contingências físicas da produção econômica) viaje nessa maionese simbólica. Como hoje em dia, quando esse é o caso de Nicolás Maduro, que vê o comandante Chavez no c* do cachorro (brincadeira, viu no barro, e piando em um passarinho).

Ou de outro maluco, o nortecoreano Kim Jong-Un, que herdou de seu pai a infalibilidade (isso nem o Papa alega mais) e títulos oficiais que mais parecem nomes de fantasias categoria luxo de Clóvis Bornay, como “Grande Homem Que desceu do Céu” (천출위인), “Suprema Encarnação do Amor Revolucionário Entre Camaradas” (혁명적 동지애의 최고화신)  e  “Grande Homem, Que É Um Homem de Ações” (실천가형의 위인). Eu maldosamente traduziria como “O Grande Homem Que Caiu na Terra”, “Suprema Encarnação do Amor O Que É Isso, Camarada” e “Grande Homem, Que É Gente Que Faz”.

Brincadeiras à parte, há enorme perigo em envolver um movimento popular com essas simbologias delirantes. Vimos na Rússia uma revolução que, em seu início, mobilizou uma enorme potência criativa – o que pode ser aferido no desenvolvimento explosivo das artes locais, como no cinema (Einsentein, Vertov) e nas poéticas visuais e literárias (Rodchenko, Maiakovski). Stalin se encarregaria de domar e canalizar essa inventividade para a institucionalidade merreca do realismo socialista.

A potência simbólica soviética viria a inspirar, por um lado, a épica nazista, e depois a maoista; e por outro a própria indústria cultural pop. Sim, cineastas russos da década de 1920 como Vertov, Eisenstein e Kulechov são os pais do videoclipe (e as drogas psicodélicas são as mães). Por sorte, chegamos ao século 21 mais equipados para arrastar impiedosamente gente como Maduro e Kim Jong-Un – e Lula – no seu próprio ridículo. Fora um ou outro surto simbólico descontrolado mas rapidamente debelado, como o da Dilma “Coração Valente”, temos (pelo menos uma parte de nós) mostrado resistência a esse tipo de credulidade. Aqui, fizemos flopar um projeto insidioso como o do filme Lula, o Filho do Brasil, peça-chave do lulismo, que passava do bolivariano ao nortecoreano.

Mas onde está, então, na disputa simbólica atual, o resquício de “verdade”, do que interessa? A minha resposta, a sério, é: na zoeira. A grande inteligência coletiva revelada na horizontalidade da internet tem a ver com a disposição (quase incontrolável) de desconstruir o que se apresenta como solene e/ou sagrado, ou seja, vertical. Assim, a rede não é um campo a mais onde o marketing possa lançar suas narrativas sem ter uma recepção crítica. O atraso do PT (ou sua condição patriarcal de “fim de uma era”, e não “o início de outra”) se comprova pela tacanheza narrativa dos chamados blogs progressistas (petistas).

Um novo discurso feminista, por outro lado, começa a marcar posição nas redes. Neste texto, A carapuça do amigo secreto, eu tento estabelecer a importância de uma nova hashtag que somou, à denúncia da #primeiroassédio, um componente de desconstrução e deslocamento. Evidentemente não se trata de negar a seriedade de ocorrências graves mas, ao contrário, impedir que elas sejam sequestradas e abduzidas pelas “grandes narrativas” verticais – inclusive as do “esquerdomacho”.

Por isso eu até entendo a impaciência com que a solidariedade aos parisienses vitimados por ataques terroristas tenha sido tratada por quem “preferia” a solidariedade à tragédia ambiental de Mariana, no Brasil. Por um lado, como especulei neste texto, Meu mártir é mais mártir do que o seu (não), há um componente (cristão e marxista) na busca de narrativas de culpa e punição nas tragédias. Mas, neste caso, houve também o elemento saudável de desconstruir a grande narrativa institucional que tentou se vender em torno de Mariana (acidente, heroísmo, a empresa como co-vítima, a pretensa resposta do estado). Se finalmente está se colocando um dedo na cara da Samarco, da Vale (cujo papel tentou se ocultar), dos governos municipal, estadual e federal, foi (num aparente paradoxo) por conta da pressão das redes virtuais.

Na verdade, a “lama tóxica” não existe no corpo natural da terra. Ela é a resultante de um estupro, o da mineração, e de suas tecnologias mais irresponsáveis. Assim como o abuso de um corpo feminino extrai de uma mulher o seu pior, o abuso da natureza, produto de uma alucinação coletiva patriarcal, conduz a terra ao desequilíbrio e à destruição. Com a chamada esquerda totalmente intoxicada pela ilusão desenvolvimentista, como nota o professor Moysés Pinto Neto, “essa divisão entre direita e esquerda (…) não será a mais relevante para os próximos tempos. A batalha não está mais no campo antitético entre Estado e Mercado, mas entre o crescimento e seus inimigos – os rexistentes ou, usando o termo de Latour, os terranos”.

De certa forma, é a inteligência “terrana” (horizontal) que chega à internet, para desautorizar uma suposta esquerda cuja impertinência narrativa é em tudo similar à da direita. A cara de um peixe morto se parece cada vez mais com uma tragédia – e a cara de um líder autorreferente, autocongratulatório e autocredibilizável como Lula se parece cada vez mais com a de um peixe morto.

Interioridade e Exterioridade

por Moysés Pinto Neto

O principal dos equívocos conceituais que alimentam a ideologia do crescimento econômico, sustentada tanto pela direita quanto a esquerda, é separação entre interioridade e exterioridade, colocando a cultura do lado interior — do qual a economia faz parte –, e a natureza do lado exterior, sendo portanto reduzida tecnicamente a uma “externalidade” do sistema. Essa configuração absurda do espaço dentro/fora faz com que o meio político — incluídos quase todos os seus satélites, como mídia, economistas e boa parte da militância — continue alimentando a ilusão de que, se tudo estiver bem “aqui dentro” (a economia, os números etc.) estamos “protegidos” contra os perigos que estão “lá fora” (na natureza, na floresta, no oceano etc.). No ponto mais doentio, essa cosmovisão sustenta a dominação total do ecossistema, adaptando-o às finalidades “humanas” (na verdade, a compulsão doentia por crescimento reificada que caracteriza o projeto Ocidental); no ponto mais moderado, negocia como se a natureza fosse uma moeda a ser trocada e quantificada — tudo em nome do “progresso”.

Não adianta mostrar que não só somos penetrados por “dentro” quando respiramos ar, nos hidratamos com água ou quando ingerimos alimentos ou tudo que nos mantêm vivos, e nem que nosso pensamento (esse suposto “interior”) é, desde sempre, dependente de um corpo que, por si só, é natureza em pulsação, a começar pelo próprio cérebro. Não adianta nem mesmo mostrar como uma catástrofe tal como a ocorrida em MG desestabiliza toda noção de “cultura”, tudo que porventura possa ter passado a significar “obra humana” nos lugares que agora vivem efeitos de forças que ultrapassam qualquer tentativa de controle. O imaginário do crescimento é uma intoxicação, uma compulsão de uma sociedade viciada. Por isso mesmo, acho que essa divisão entre direita e esquerda, apesar dos pesares, não será a mais relevante para os próximos tempos. A batalha não está mais no campo antitético entre Estado e Mercado, mas entre o crescimento e seus inimigos — os rexistentes ou, usando o termo de Latour, os terranos.