Pensamentos soltos de fim de tarde após ouvir choros, lamúrias, ranger de dentes, sorrisos, exaltações…

por Carlos Augusto

Ideologias querem substituir características eminentemente humanas como compaixão, equanimidade e alegria.

O sujeito acha que vai impingir estas características ao restante do mundo, porque universalizará a sua ideologia. Parece uma ideia genial fazer o mundo compassivo, equânime e alegre. Do meu jeito, claro.

Ideia tão genial e tão boa, que explica porque em maior ou menor grau as ideologias são totalitárias: elas pressupõe atingir a totalidade para poderem operar. Afinal o mundo não pode ser compassivo, equânime e alegre apenas em parte. Sendo esta a gênese do problema que a ideologia vem resolver. Bora mudar o mundo !

Quando o sujeito está imerso em sua ideologia – sempre para o bem de todos os seres viventes do planeta – brota nele invariavelmente o pensamento integral, monolítico, inquebrantável, a partir do qual só através deste se atinge o bem. Ora, tal altruísmo, tal grandeza de propósitos, jamais poderia se dar em metades ou por partes, ou minimizada de algum modo. Aceitar tais coisas seria aceitar o mal.

A ideologia é a expressão do bom. Há o revestir-se de sacralidade, que dá aso a uma ação reverencial em relação a ideia, de forma que, quando o sujeito a pensa, ele se investe nesta bondade suprema. Pronto ! Ele é um santo.

E como todo santo que se preza, almeja a totalidade, e quer de volta, como preço, como paga, o amor daqueles a quem quer apenas propiciar compaixão, equanimidade e alegria.

O problema – sutilíssimo e que escapa ao sujeito embevecido em sua infinita bondade santificada – é que congregando compaixão, equanimidade e alegria temos o santo em si.

Explico: não é a santidade adquirida que faz um santo. Ninguém se torna santo. O santo já vem revestido de santidade. Isso explica aquela máxima de que Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos.

Aí você pode perguntar: mas como então desenvolver a compaixão, a equanimidade e a alegria neste mundo ?

Pulo do gato: todo santo almeja a totalidade, lembra ? mas esta totalidade é interna. Não externa. Não há necessidade do outro. Nenhuma.

Quer uma ideologia pra viver ? Te dou uma: não há maldade neste mundo. Todo o mal, todas as atrocidades, tudo que há de abjeto, repulsivo e de dor foi causado pelas mãos de gente que só queria o bem.

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